terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Mãe escreve frases nos lápis de cor da filha para incentivá-la na escola: 'Você é incrível'

Pais, educadores, professores...

Que tal esta ideia? Uma forma de incentivar, mostrar amor, respeito e transmitir valores.
Uma forma leve, fácil e bonita de estreitar vínculos 
Nós cá ADORAMOS!!  




"Você é incrível", "não desista", "tenha coragem e seja gentil". Com o objetivo de se fazer presente mesmo estando longe, a professora Alessandra Teixeira, da rede municipal de ensino de Jundiaí (SP), decidiu decorar os lápis de cor da filha Thainá Teixeira, de 8 anos, com frases de incentivo e lembretes do quanto ela é especial.
A mãe, de 35 anos, conta que a ideia veio de um post feito por uma página de educação no Facebook e foi colocada em prática no mês passado.
"Enquanto a Naná fazia a lição na mesa da cozinha, eu me sentei no sofá e comecei a escrever frases como 'Deus tem lindos planos para você', 'você é linda' e 'ame e respeite a sua professora'. Algumas eu copiei da própria publicação, outras fui criando de acordo com os valores que procuro ensinar à Naná. Digo a ela que fiz os bilhetes porque ela merece esse carinho", explica.
De acordo com Alessandra, apesar de ser uma menina muito esperta, Naná às vezes têm preguiça na hora de fazer as tarefas da escola e os bilhetes têm ajudado a motivá-la. "Percebo que ela está mais caprichosa e amo vê- la lendo as frases enquanto faz a lição."

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Regresso às aulas...

Neste início de um novo ano letivo, nada melhor do que começar por refletir...

  PORQUE É EU QUE TENHO DE IR À ESCOLA?


Perguntou a minha sobrinha, agora que o 1.º ano se aproxima e, de repente, a angústia nos seus grandes olhos negros era a minha, a nossa angústia nos nossos grandes olhos negros, dias antes e muitos anos atrás, antes do nosso primeiro dia de aulas. 

Porque é que eu tenho de ir à escola? A resposta é impossível para quem ainda tem seis anos. Tão impossível como o porquê de termos de aprender matemática. Não, o porquê da matemática é ainda mais impossível, só lá cheguei depois de fazer 30 anos. 
Porque é que tens de ir à escola? Para fazer amigos, comecemos pelo mais fácil, pelas coisas boas, para brincar e correr, jogar e saltar, mas também partilhar e ajudar que a amizade não é só brincadeira, é também estar para os outros. 


Vais para a escola para crescer, para conheceres alunos e professores de outras origens, de outras terras e outros países, com modos de pensar e agir diferentes dos teus, mas concordantes, porque no princípio e no fim somos todos iguais.

Entretanto, é preciso ler e escrever, aprender a contar, tomar o gosto aos livros e esquecer o telemóvel, o telemóvel não, desculpa, o “kudu”, como lhe chamas desde sempre, mesmo se o sempre não é assim há tanto tempo.

E aprender a viajar entre o português, as ciências, a geografia, o desporto, a arte, a música e descobrir um mundo belo e cheio de cor, um mundo ainda a tempo de ser salvo e onde podes ter um futuro.

Um futuro pelo qual vais ter de lutar. E para lutar precisas, primeiro de tudo, de conhecimento. Por isso é que tens de ir à escola. Para aprender como se ganha uma bandeira e a liberdade é vermelha, sim, como o Benfica, isso já sabes, mas é preciso mais, é preciso aprender sobre Abril e saber de cor os nomes de quantos morreram para que hoje possas ir à escola — e o porquê de antes não ser assim.

Porque não podemos voltar a assinar de cruz e tu não podes crescer a assinar de cruz e a aceitar tudo o que te dizem como verdadeiro. É premente questionar, discutir, debater, aprender a ouvir os outros pontos de vista e saber colocar a nossa voz para poder exprimir os nossos pontos de vista. E dialogar, negociar, chegar a consensos em nome da paz, não queiras viver uma guerra, é da guerra que vem o verbo lutar e para lutar já nos bastam os dias.

Vais à escola para aprenderes mais sobre ti, não necessariamente sobre o que gostarias de ser, mas sim sobre o que gostarias de fazer. E no que nós gostamos de fazer reside o cerne da felicidade.

Vais à escola para aprender a ser feliz, mais feliz ao longo da vida, esta vida, a tua única vida. Que valha a pena. E vais à escola para perder, para fazer cedências, para poderes cair enquanto há uma rede. Daqui a alguns anos alguém virá para te tirar a rede: tu própria, pronta para te desafiares no mundo dos crescidos.

Quando esse dia chegar já seremos velhinhos, ou para lá caminharemos. Mas ainda lá estaremos, a outra rede, aquela que nunca viste por debaixo da tua, a rede pronta para te segurar sempre que for preciso.

Até lá, vive a escola, os amigos, o primeiro beijo, as férias, o Verão, os novos cadernos, os professores, o recreio, as visitas de estudo, as viagens, a escola tão curta, são só 12 anos, vive-os intensamente, não voltam atrás, não se repetem, passam num instante, como os nossos e, no entanto, ficam para sempre.

Autor: José André Costa, in Público, 11 de setembro de 2019

terça-feira, 13 de março de 2018

Educação atual? Educação do futuro?

Que escola temos?

Que escola queremos?

Que alunos queremos formar no século XXI?

O que tem que mudar na educação?

Como podemos contribuir para esta mudança?


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Programa de Orientação Vocacional "Eu pertenço ao meu futuro"


No passado dia 23 de janeiro, os encarregados de educação dos alunos do 9.º ano foram convidados para uma sessão intitulada "Eu pertenço ao meu futuro - o papel dos pais". Nesta sessão, os encarregados de educação tiveram oportunidade de conhecer o programa de orientação vocacional "Eu pertenço ao meu futuro" que será implementado junto dos alunos do 9.º ano, ao longo do presente ano letivo, bem como refletir sobre como podem ajudar os seus educandos neste processo de tomada de decisão vocacional.
Para além disso, foi apresentada a organização do sistema educativo português e a oferta educativa e formativa a partir do 10.º ano de escolaridade.





sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Desafio para reflexão...

Se uma criança não sabe ler, nós ensinamos.

Se uma criança não sabe nadar, nós ensinamos.

Se uma criança não sabe multiplicar, nós ensinamos.

Se uma criança não sabe andar de bicicleta, nós ensinamos.

Se uma criança não se sabe comportar, nós...  


        …ensinamos?     

                                …castigamos?



(in Tom Herner, NASDE President; Counterpoint 1998, p.2)

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Medicalização da educação

Artigo de opinião de David Rodrigues
Professor universitário e presidente da Pró-inclusão, Associação Nacional de Docentes de Educação Especial


Eu, à semelhança de muitos portugueses, tenho excesso de peso. Este excesso de peso afecta-me em variadas áreas da minha saúde, da minha funcionalidade e, helas, da minha estética. Tenho tentado perder peso mas… por cada meio quilo que perco, logo um quilo inteiro vem apressadamente colmatar a ausência do meio quilo perdido. E assim, os meus esforços não têm sido muito bem-sucedidos. Sou bombardeado com produtos para emagrecer: “perca três quilos numa semana sem dieta nem exercício”, “chega de excesso de peso: perca cinco quilos em duas semanas”. Confesso que são propostas sedutoras. E são sedutoras porque me prometem eliminar as consequências sem ter que intervir nas causas.
Vejamos: eu sei por que tenho excesso de peso: como demais e faço exercício de menos. Estou certo que se conseguisse alterar os meus hábitos de alimentação e de exercício perderia os tais quilos a mais. Mas… custa fazer isto, custa modificar as causas porque isso implica abandonar hábitos arraigados, comodistas e fáceis por outros que são novos, custosos e, portanto, mais difíceis. E assim, continuo com excesso de peso até que, um dia, talvez, em desespero de causa me vá render a uns comprimidos que me prometem que tudo na minha vida pode ficar igual – exceto o peso.
O que é que tem a ver o meu excesso de peso com a medicalização da Educação? Tudo. Temos assistido a um aumento exponencial de crianças cuja solução para melhorarem o seu aproveitamento escolar é tomarem remédios. Fala-se de psicostimulantes que ajudam a criança a concentrar a sua atenção no que é importante, em lugar de a dispersar por outros temas que não constam do programa escolar (o termo deficit de atenção está contaminado pelo julgamento do que é a “boa” e a “má” atenção).
Uma questão que permanece não respondida neste campo é: por que é que tantas crianças precisam, “de repente”, de ajuda química para melhorar o desempenho escolar? Podemos avançar algumas hipóteses:
a) porque a escola está mais exigente e implica uma atenção por mais tempo e mais focalizada que antes,
b) porque existe uma desarmonia entre a forma como se aprende na escola e fora dela (ref: tecnologias digitais, etc.),
c) porque as crianças são precocemente responsabilizadas pelo cumprimento de tarefas que não são capazes de realizar,
d) porque os conteúdos da escola parecem obsoletos e desmotivantes comparados com outros estímulos etc., etc., etc.
O certo é que, se o sintoma se manifesta na criança e na sua aprendizagem, a causa está fora dela: está, em última instância, no tipo de escola, de ensino, de conteúdos e de aprendizagem que lhe são propostos.
Vamos regressar ao meu excesso de peso. Actuar sobre as consequências sem alterar as causas. Mas se a causa não está na criança, porque é que vamos actuar quimicamente sobre ela? Porque é que a escola (e tudo o que lhe está inerente: métodos e ambientes de aprendizagem, conteúdos, etc.) não é capaz de se modificar para ir ao encontro da forma e do ritmo com que a criança aprende? A resposta é dura mas vale a pena ser considerada: porque a criança é o elo mais fraco. Ela sim, tem deficit de atenção, ela sim está desadaptada, ela sim tem que se modificar para se ajustar à forma como a educação se organiza. A Educação, ela sim, está, como sempre esteve, certa. Continua aqui a procura desta quimera: tentar mudar as consequências (a falta de atenção da criança) sem actuar sobre as causas (os conteúdos, as estratégias de ensino, as experiências de aprendizagem, a personalização de percursos, o apoio escolar, etc.).
Pois é, se não formos capazes de mudar hábitos alimentares e de exercício, e se a escola também não ousar mudar a forma como os alunos aprendem, das duas uma, ou nos tornamos uma comunidade químico-dependente (os pais medicados contra a obesidade e os filhos contra a hiperatividade); ou então convertemo-nos numa sociedade de gordos (felizmente que, devido ao deficit de atenção, ninguém dará importância a isso por muito tempo…).
Retirado de: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/medicalizacao-da-educacao-1680935